sexta-feira, dezembro 07, 2007

Cheio de dedos - cheio de anéis


...vão se os dedos ficam os anéis ou vão se os anéis e ficam os dedos...



10 comentários:

Anônimo disse...

Pétalas na minha cabeça, dedos nos meus cabelos e a lua nos assistia. Quantas saudações nos derramos. Tudo isso envelheceu aquele céu. Bastou-me alguns anos para compreender o tal anel que neguei, que discuti e não quis sabê-lo em meu dedo. Guardo-o na gaveta da saudade. Hoje, na cadeira de balanço, a mão nos olhos te vê no escuro do quintal, pacato, suspiro animal.

Anônimo disse...

Este anel guarda uma grande lembrança. Ele tem o poder de uma lenda. Quando meu pai me deixou na floresta, passei a ouvir o choro de minha mãe. Este choro que ainda ouço, é como se fosse uma música só minha, uma música que ninguém ouvirá, uma música dolorida, um anel que ficou na frauda.

Anônimo disse...

pétalas velhas
espetam no dedo
anel de prata

Anônimo disse...

e prata
coroam
suas mãos
seus olhos me levam para onde não vejos os vossos olhos.

Anônimo disse...

eterna tarde
botões quebrados.

a luz que foi embora pela avenida
me tem tão louco de bebida.

a chaga e a ferida te irrita
te irriga, te bulina um oceano de paixão e ousadia.

em vinte anos
significa
tudo o que está
por sobre os dedos.

e não conheço vida outra
que seja mar e embarcação.

Anônimo disse...

Dependendo das circunstancias, nem mesmo ficam os dedos ...

Anônimo disse...

De criança ficou o colar
A pequenina que balança e lembra do primeiro choro, primeira mágoa..
Daquela que dançava no pescoço,
Que trazia a leveza de uma vida que não era a sua.
Agora traz a amargura de quem virou adulta sem querer.

Anônimo disse...

de repente, na Amaral Gurgel, tânsito parado eu dirigindo e um cara chega na janela e diz: me dá teu anel senão te dou um tiro na cara!
senão te dou um tiro na cara!
eu: o quê?
o quê? o quê?
e fui empurrando minha amiga pra fora do carro, pelo lado dela
eu também fui saindo pelo mesmo lado e deixamos o carro ali, sem ninguém dentro
o cara?
correu

Anônimo disse...

o corpo abandonado
solto
livre para se deixar levar pelo desejo de nada
corpo sem nada de si
a pele superfície que flutua
o desejo de nada
o corpo como objeto velho largado
na rua
entrave
a dor na pele ardente

biamara disse...

antigamente quando duas pessoas se separavam, partia-se um anel em dois e cada uma carregava a sua metade. com o passar do tempo, esse seria o símbolo que permitiria o reconhecimento: a parte que me falta está contigo ou você é aquele que partiu. nonada. houve um tempo em que fui a algum lugar fora do mundo pela primeira vez. os moradores desse lugar usavam anéis em todos os dedos. chovia anéis ao fim em todas as três primeiras vezes em que lá estive. niente rien nothing nada nada. pelas ruas da mooca passei a procurar um anel que me simbolizasse.não o encontrei. da segunda primeira vez o zezinho me deu um anel inteiro que carrego comigo para todo e qualquer lugar em que estou.