Este é o Blog oficial da Cia. Corpos Nômades, que foi criado em 2006. Funcionará novamente como nossa Sala de Ensaio Virtual. Como foi com o espetáculo "O Barulho Indiscreto da Chuva", onde as respostas poéticas inspiraram as coreodramaturgrafias. Agora com o HOSTEL PROJECT - novamente as postagens e os comentários servirão para a criação do novo espetáculo. Este projeto conta com o XIV Programa Municipal de Fomento à Dança de São Paulo e a Cia. Corpos Nômades é patrocinada pela PETROBRAS
segunda-feira, março 05, 2007
Guardar a Chuva!
foto instalação da Bienal SP - 2006
Guardar a Chuva! Lembrar na chuva, terreno úmido, fértil, molhar até os ossos...
16 comentários:
Anônimo
disse...
gostava quando a chuva cantava no telhado lá de casa quando a chuva virava goteira e as gotas pingavam no balde que respingava no chão e molhava o chão.
dancei na chuva quase todo o meu repertório fiz dueto com raios que cruzavam os céus de uma tarde quase sem sol as gotas largas que caíam da chuva se uniram em um espelho d´agua onde pude ampliar meu rastro curei as lágrimas com águas que lentamente enxarcavam meu corpo o vento que soprava carregava com ele parte de minhas máguas só pude parar quando esgotei meu silêncio e juntas pausamos uma trégua pura e luminosa como as águas empoçadas no chão do meu quintal que refletiam meus gestos e as nuvens que se diluíam com o vento permitindo que raios de sol ocupassem frestas isoladas que preenchiam a cor das últimas horas dessa tarde de hoje.
fernando pessoa choveu, choveu o dia em minha angústia. não podia ter saído de casa, pois as pessoas sabiam de minha angústia. sabiam que eu estava ficando louco e não poderia me molhar a hipocondria. ela percorria lágrimas tantas de cegar, o medo arrepiava de meus olhos nublar. o sonho de poder apertar o botão para a noite chegar, e enfim respirar.
onde, onde, onde? vou procurar nas entrelinhas daquelas gotas cheias de guerra, pra poder imaginar que existe uma vida de beleza e paz? ser� o sol iluminar� algum olhar realmente enxergar, ser� meu pai me v� de onde? o telhado que ele caiu o corpo de minha afli�o doeu-me at� agora. logo em seguida tornei-me ang�stia e sou uma solit�ria chuva que partiu a telha. �nsias de v�mitos v�em-me como ondas de uma praia polu�da de remorsos e desesperos sorridentes.
eu tinha uma tarde no meu caderno. esta tarde cantavam no quintal um bando de pardais e latidos vizinhos. o sol era t�o maravilhoso que resolvi bater uma punheta para ele. bati. gozei e guardei no caderno.
chuva e sol: casamento de espanhol sol e chuva: casamento de viúva nada tão poético... mas me lembro do dia que meu carro sossobrou na esquina da av. Brasil com a Rebouças parecia um barco à deriva, batia de um lado pro outro nos carros à volta minha mãe saiu correndo pra pedir ajuda ficou ensopada seu vestido colado no corpo correndo descalça e dizendo: tenho 68 anos! ajude minha filha a empurrar o carro!
De repente a coceira, que começa ingênua a querer balançar o braço e chegar até o ponto final. Coceira que cresce e leva ao passado, da boneca, da avó, do pai, de memórias amargas e presas. Quando brincava de ser menina, quando brincava pra não ouvir, pra não ter que ver, quando o barulho era mais alto do que as gargalhadas da meninada a correr e pular. E quando a noite chegava não tinha jeito, então brincava por dentro e rezava pra que o dia logo voltasse e apagasse a noite passada.
sandálias na lama e as pernas queimadas de sol e mar
um desejo me sufocava quando comíamos batata no bar
fui bem filho da puta.
o peixe estragado nadou em mim, uma fúria ciumenta que me fez bater em você, te deixar largada na estrada. Tive dó e voltei pra ti buscar. Você ainda chupou-me todo me deixando cheio de asco e tesão. Ce era virgem quando te contei da carochinha. Lembra que tua mãe tirou a vela da estante e levou pro quarto dela pra trepar iluminada com teu pai? Ficamos ouvindo eles miarem feito gato e cachorro e as gotas da tempestade na janela,brotavam pra dentro de mim uma angústia seguida de tosse e sua cara feia.
ela chegou bem cansada n�o me dirigiu um olhar e nem palavra. sentou-se na cama, tirou os sapatos, estendeu o guarda-chuva na minha cama, fez a comida,p�s no meu prato, uma batata crua.
coração encharcado a pingar gotas de chuva no chão. se eu pudesse, secaria meu coração prá não vê-lo pingar ilusões e emoções por aí... uma dor já basta por si mesma. não preciso de mais lágrimas, coração...
16 comentários:
gostava quando a chuva cantava no telhado lá de casa
quando a chuva virava goteira
e as gotas pingavam no balde que respingava no chão
e molhava o chão.
meu dedinho debaixo dágua
e debaixo da saia
sabia brincar de alegria
sabia nos fazer criança.
ondas nos cobrindo
chuva e tempestade
dancei na chuva
quase todo o meu repertório
fiz dueto com raios
que cruzavam os céus
de uma tarde quase sem sol
as gotas largas
que caíam da chuva
se uniram em um espelho d´agua
onde pude ampliar meu rastro
curei as lágrimas
com águas que lentamente
enxarcavam meu corpo
o vento que soprava
carregava com ele parte de minhas máguas
só pude parar
quando esgotei meu silêncio
e juntas pausamos
uma trégua
pura e luminosa
como as águas empoçadas
no chão do meu quintal
que refletiam meus gestos
e as nuvens que se diluíam com o vento
permitindo que raios de sol
ocupassem frestas isoladas
que preenchiam a cor
das últimas horas dessa tarde de hoje.
grandes guarda-chuvas amarelos no deserto... - cristo.
gotas secas
do grande olho chorão
um fundo de dor
dorme abandonada ao terço.
ela ainda guarda
ela sabe guardar muito bem
sabe reviver aquela tarde em que passamos por baixo do arco-íris.
fernando pessoa choveu, choveu o dia em minha angústia. não podia ter saído de casa, pois as pessoas sabiam de minha angústia. sabiam que eu estava ficando louco e não poderia me molhar a hipocondria. ela percorria lágrimas tantas de cegar, o medo arrepiava de meus olhos nublar. o sonho de poder apertar o botão para a noite chegar, e enfim respirar.
onde, onde, onde?
vou procurar nas entrelinhas daquelas gotas cheias de guerra, pra poder imaginar que existe uma vida de beleza e paz? ser� o sol iluminar� algum olhar realmente enxergar, ser� meu pai me v� de onde? o telhado que ele caiu o corpo de minha afli�o doeu-me at� agora. logo em seguida tornei-me ang�stia e sou uma solit�ria chuva que partiu a telha. �nsias de v�mitos v�em-me como ondas de uma praia polu�da de remorsos e desesperos sorridentes.
eu tinha uma tarde no meu caderno.
esta tarde cantavam no quintal um bando de pardais e latidos vizinhos. o sol era t�o maravilhoso que resolvi bater uma punheta para ele. bati. gozei e guardei no caderno.
chuva e sol: casamento de espanhol
sol e chuva: casamento de viúva
nada tão poético...
mas me lembro do dia que meu carro sossobrou na esquina da av. Brasil com a Rebouças
parecia um barco à deriva, batia de um lado pro outro nos carros à volta
minha mãe saiu correndo pra pedir ajuda
ficou ensopada
seu vestido colado no corpo
correndo descalça e dizendo:
tenho 68 anos!
ajude minha filha a empurrar o carro!
De repente a coceira, que começa ingênua a querer balançar o braço e chegar até o ponto final.
Coceira que cresce e leva ao passado, da boneca, da avó, do pai, de memórias amargas e presas.
Quando brincava de ser menina, quando brincava pra não ouvir, pra não ter que ver, quando o barulho era mais alto do que as gargalhadas da meninada a correr e pular.
E quando a noite chegava não tinha jeito, então brincava por dentro e rezava pra que o dia logo voltasse e apagasse a noite passada.
...o dia está nublado
mas o clima está pra sol...
sandálias na lama
e as pernas queimadas de sol e mar
um desejo me sufocava quando comíamos batata no bar
fui bem filho da puta.
o peixe estragado nadou em mim, uma fúria ciumenta que me fez bater em você, te deixar largada na estrada. Tive dó e voltei pra ti buscar. Você ainda chupou-me todo me deixando cheio de asco e tesão. Ce era virgem quando te contei da carochinha. Lembra que tua mãe tirou a vela da estante e levou pro quarto dela pra trepar iluminada com teu pai? Ficamos ouvindo eles miarem feito gato e cachorro e as gotas da tempestade na janela,brotavam pra dentro de mim uma angústia seguida de tosse e sua cara feia.
na chuva íntima em que se me vejo, aconteço
ela chegou bem cansada n�o me dirigiu um olhar e nem palavra. sentou-se na cama, tirou os sapatos, estendeu o guarda-chuva na minha cama, fez a comida,p�s
no meu prato, uma batata crua.
coração encharcado a pingar gotas de chuva no chão.
se eu pudesse, secaria meu coração prá não vê-lo pingar ilusões e emoções por aí...
uma dor já basta por si mesma.
não preciso de mais lágrimas, coração...
cHOVE CHUVA, cHOVE SEM PARAR, cHOVE CHUVA, cHOVE SEM PARAR.
aDORO OUVIR A CHUVA
aDORO cHOVER A CHUVA.
aDORO DORAR A cHUVA..
cHOVE sEMPRE sEM pARA.
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