domingo, dezembro 24, 2006

botões em curto circuito

Uma idéia que surge, um circuito interno,
um circuito de palavras,
um circuito de movimentos... o que gruda em você...
o que te faz criar imaginações...

18 comentários:

Anônimo disse...

-Precisa abotoá a camisa pra num leva vento. Sabe que já ficou internado 15 dias por causa da pneumonia. Isso foi macumba daquela desgraçada. Sabe que, quando rogam praga pra gente, quem pega é o filho. O doutor falô pra tu evitá chuva, garoa, sereno.
Entrá em lugar quente e saí no frio num dá... seu ti vê tomando chuva, menino... se vai entrá na cinta.

É mamãe, entrei muito na cinta, desobedeci muito. De tanta desobediência quase virei uma cinta. sinto muito... vou embora, a casa não mais me comporta... vou mas volto... os domingos serão bons como antigamente, haverá mais alegria e menos monotonia em nossos encontros. No seu aniversário, levarei um perfume de uma flor bem rara, que um índio benzeu e me deu, te darei o último CD de Edvaldo Santana e um neto bem forte, aprenderei tocar violão e cantarei esta composição de um poeta amigo meu:

Panela da mãe na mesa
saudemos mais um domingo
do farto afeto no prato
dos filhos no trato
e vamos comer

Como sou um rapaz faminto, a poesia caiu bem,no meu estômago, óbvio.

ps: ia esquecendo de dizer que vi você na internet, uma foto da família no blog do Edu. Lembra?
Daquele dia em que, tia Josefina se meteu a fazer futrica de Pulica e a senhora botava mais lenha na fogueira daquele bando de fofoqueiras.

Anônimo disse...

Você me apareceu na frente desta tela como uma pedrada na cabeça da memória. Voltei praqueles tempos em que a noite não tinha só estrelas e luas: o vinho na taça, a porrada na cara, leandro e leonardo acompanhado pelas ousadias das outras tias velhas gargalhando pelo corredor, o surto, aquele horror, parecia história de filme pornô, meu amor.
Não acredito ter te esquecido até agora! Também, essa avalanche justifica perder a memória.

Anônimo disse...

Não sei mais onde te procurar. Não sei. Quando vamos nos encontrar?
Quando? Será que... sei lá! Tantas terças você vinha me deflorar!
A minha não estava em casa e a sua também, lembra? Era a única noite da semana, que vivi realmente, nestes cinco anos de casamento.
A partir do seu pisar e o lance daquele olhar indo embora, um susto, uma linha fora o peito suspirava mais profundo. Na proxima terça você não deu as caras, na outra também. Estou a ponto de gritar pra te chamar ou para arrancar essa aflição que me mata a cada pensamento.
Acredito que você ainda esteja me vigiando. Aquela camisa na sala; não foi a toa ser largada em cima do meu tênis com a manga dobrada. Da janela vejo vultos na laje.
Recebe emails estranhos; sem identificação alguma.
Você está virando um colesterol.

Anônimo disse...

Leandro, não consigo me conectar a você! Algo nos distancia. O Roberto teve a pachorra de rasgar a camisa e vir com a ex ao meu encontro. E aquela velha sarnenta continua me vigiando como se eu fosse fugir pra fumar maconha com o Corte.
Mande lembranças pra sua memória!

Anônimo disse...

virada de lado, a penumbra descia pelo canto da boca algo de me fazer doer o peito, as pernas e um formigamento nas pontas das unhas atinava coçar o couro cabeludo que você tanto gostava de acariciar em que às vezes brotava o piolho nas suas unhas pintadas de vermelho ou preto - coisa que eu tanto gostava de vê-las, as suas mãos, as suas unhas -. agora o peito retine uma vibração reativa, seus solavancos pela gargalha crescem as pupilas, as retinas mas, são margaridas, são facas, são benedito; fotografias da noite passada onde hoje fomos ontem e mais presente, aéreo como nunca a poesia pisou no chão(a poesia não tem pés)e muita asa de galinha cozida.

Anônimo disse...

papéis vão se evaporar nesse ar difícil de respirar. mudo cada casa cada jeito cada gesto, minha cama não esqueço. cada caixa transportando tantos livros que não serão lidos. poemas daquele poeta esquecido, salvas de versos métricos em cordéis de minha antropologia depositada em celulose de consciência cristã. frases nervosas de olhares ousados da época de lampião, raça de josé carneiro, mastigador de fumo de corda, mouro sufi, caçador de peixes e preás. continuo a passar a preguiça, a amizade, a desatenção, a vida forte, o amor que prezo seus mistérios por cada passo, quando caso ou descaso, quando mudo ou quando falo, nunca falso o equilíbrio, o santo é forte e hoje chove.

Anônimo disse...

Lembro quando ganhei a calcinha de renda de meu pai. eu era piquinininha e o paquita era bem bicha de balançar o rabo no futebol. ria de gargalhar, até saber que ele gostava de mim, e queria me comer na casa da vovó que vivia a fumar cachimbo, pensando no filho que se foi a muito tempo trabalhar, pois estava quase na hora de chegar, um dia entramos sem ela perceber, fomos pro quarto do rene. fingir de ver tv debaixo da coberta.

Anônimo disse...

esta camisa foi do andré
ele morou na grécia
ele morou no céu uma parte de sua vida
teve 2 filhos
seu casamento durou 30 anos
foi um céu por 25 anos
os outro 5
perturbações com a falta de dinheiro e a concordata de seu empreendimento
que obviamente resvalou no casamento
esta camisa que foi do andré
virou pano de chão
ela seca a sala
a cozinha
o banheiro

Anônimo disse...

meu compromisso é/está frouxo.
naquele trabalho em que me entregava para segurar a afetividade dos outros meus, caiu quando um outro de mim se sobrepôs com maior força sobre meu ego/entrega ao trabalho. a falta de reconhecimento ao meu trabalho que depositei nos ditos "chefes",o ciúmes, a inveja e os olhares que se voltaram para ela me fizeram afrouxar a mão, a não mais empreender como vinha até então.

Anônimo disse...

o medo de assumir
o medo da morte
freud ou reich ou perls
sou um filho da puta
largo na mão dos outros
fico livre da crítica
não tenho compromisso com nada
se der a cara a tapa
vai doer.
a foto revelada
tentativa de aniquilação do ego.

Anônimo disse...

pode ter sido a última vez
foi como se fosse a primeira vez
nossas bocas nosso abismo
a floresta cheia de labirinto
se afogaram nos cabelos embebidos de saudade.

Anônimo disse...

Seus cabelos brancos ainda roçam em minha memória.
Numa tarde em que as lágrimas nos lavaram os olhos, a minha boca proferia o encanto dos anjos e a voz de Maria Calas. Você partiu para o além-mundo, passou a fronteira dos ossos e está em minha pele. Como se fosse meu pai, o amor é desse jeito. O mar está para ser mergulhado, as mãos trêmulas nos cílios produzem as canções entressonhadas de músico embriagado.

Anônimo disse...

Teus fartos seios me fizeram mamar
altas horas. Tive a grande ousadia de fugir e te visitar sempre. Sua casa e minha ex-casa está incorporada nos meus escritos e nas minhas falas. As vezes a saudade, as vezes saudosista, sumo e não dou pista.

Anônimo disse...

Finja que não te dei as flores. Elas eram firmes como o meu sexo afogado em suas partes íntimas.
Se a cama estiver ocupada, o sofá estará em silêncio. Meus desabafos não passam de momentos para se libertar da chaga dor.

Aldiane Dala Costa disse...

Pego fogo com a fricção de partes
Anseio o contato, o mergulho
No começo o desejo de penetrar e atravessar o aparente,
a superfície epidérmica espiralada do corpo.
Depois a pressão e o fluxo, o gozo
Me pego tentando espiar através dos olhares
Os olhos são lindos e é impossível capturar o segredo que guardam
A respiração, a saliva
O inesperado divertido
O que corta e possibilita mais
Quando sou provocada a criar caminhos e posso usar o que me dá prazer pra isso sinto que estou viva e ligada a um fluxo de vida maior que eu.
Acho que é por isso que curto viver apaixonada

Anônimo disse...

Se não fosse a paixão que tive a poucos anos. Se não fosse as flâmulas de suas saias rodando-me as retinas. Se não o desejo de quando virei um mutante, o instante e as fagulhas da dor me brotarem o anseio de se jogar no labirinto de amar. O desejo de não me salvar, não me salvar.

Anônimo disse...

Seus olhos se confundem com as uvas
Chet Baker toca na sala a ensolarada manhã
E lembrar de suas tardes ouvindo o tal pistão
Calmarias e poemas de Rimbaud
As mãos trêmulas passeando pelo rosto
Guardo tudo no tato
na memória
sem esforço

Anônimo disse...

nada tão romântico
mas, um certo cruzar de olhares....