
Este é o Blog oficial da Cia. Corpos Nômades, que foi criado em 2006. Funcionará novamente como nossa Sala de Ensaio Virtual. Como foi com o espetáculo "O Barulho Indiscreto da Chuva", onde as respostas poéticas inspiraram as coreodramaturgrafias. Agora com o HOSTEL PROJECT - novamente as postagens e os comentários servirão para a criação do novo espetáculo. Este projeto conta com o XIV Programa Municipal de Fomento à Dança de São Paulo e a Cia. Corpos Nômades é patrocinada pela PETROBRAS
21 comentários:
ouço o silêncio dos ossos, a força do cálcio crescendo nos passos. o amanhã comprometendo minha psiquê de imagens daquela vila violenta. aquele caixão; meu rosto fora do vidro e meu outro dentro partindo para debaixo do chão.
quantos outros estas retinas presenciaram sem pudor e interrogação do que a vida, a dúvida do porque você pulou dessa ponte.
nós com a mesma idade, os sonhos suando juntos para o agora se fazer mais do que tal realidade hipócrita de códigos de conduta, nossos ossos/morte de cada dia.
sempre evito os enterros. eu corro dessas imagens, sumam de meus ossos, de meu suor, de minhas roupas.
... Renunciar inteiramente
a esta luta de viver mil vidas.
... Para depois de ter-me libertado
e morto assim o nomadismo inquieto
do meu mundo interior minha ânsia de descobrir qualquer coisa melhor sobre os que dizem ser amigos. Livre finalmente com a alma nua e o espírito nu, um destino, um caminho, um desejo,e uma só realidade, contemplar
sem Saudades, a Mim-mesmo acabado de morrer!...
A gente sempre morre.
E o que fica além dos ossos?
Nossa história contada em livros, na boca dos amigos, fotos, sensações do que fui e do que deixei de ser ou dizer.
Quando desejava a morte de vovó, desejava ao mesmo tempo a felicidade dos meus pais, dos meus irmãos e a minha.
Era dezembro, a reforma da casa finalizava. Vovó tentou se levantar inúmeras vezes, sem sucesso, permaneceu sentada na cama, acendeu o cachimbo e seguiu fumando seus pensamentos.
Seu olhar se voltou aflito e conformado para mim que, perturbado, presencie todo o começo daquele fim.
patrícia, carla, joana, julio, andré, mônica, rubens, tadeu e leandra.
mais que a "quadrilha" de drummond!
quantas vidas passaram por mim!
quantos eus em outros tantos!
quantos que deixei de olhar no olho!
e ver neles outro mundo dentro de mim.
lia o salmo 32 para mamãe orar.
lia cada palmo de palavra, como se fossem versos oratórios da salvação da humanidade.
lia e ao mesmo tempo me invadia pensamentos sobre cristo e sua mãe maria. e quanto mais aprofundava, os pensamentos tomavam forma de um pervertido.
pintei inúmeros quadros profanando os apóstolos desejosos da carne na santa-ceia.
não os expus nem no meu quarto.
estão guardados e mofados.
sou um pintor frustrado.
peço desculpas pela surra, pela sinta, pelo meu descontrole pra cima de você.
Apareceu no meus sonhos, fumando, encostada na geladeira e o pensamento no telhado. Eu fazia café, eu fazia cuper, eu dobrava a calça, eu trabalhava na madrugada e andava sem delongas pela rua que a prefeitura acabara de arborizar. E o bueiro começou a soltar insetos voadores e rastejantes. Do meu cotovelo sai uma barata, do sovaco voam moscas e fico puto, xingo a mãe de todo mundo e quanto mais urro, mais bichinhos na boca, no ombro, na orelha.
E a geladeira agora só com a sua imagem na memória do telhado sem seu pensamento aparado.
quando conheci liliane, tive a impressão de ter nascido pela segundo vez na vida.
quando perdi liliane, tive a impressão de ter morrido pela primeira vez na vida.
Tinha acabado de perder um grande amor. Fiquei sem chão, não tinha trabalho e sim o começo de uma depressão.
Resolvi entrar numa faculdade, só que antes; era preciso estudar, estudar, estudar. Estudar em casa com a depressão que me assolava, não dava. Fazer um cursinho bateu na idéia e virou ação.
Todos os dias levantava às 6 horas da manhã. No começou deu um gás, tava no pique até perceber que a dúvida me vestia de sono nas aulas.
Meu corpo rejeitava esse estudar matemática, química, física...
Estava quase desistindo de ir pro cursinho, quando me deparo na hora do intervalo com um olhar cheio de brilho pra cima de mim. Meus sentidos ficaram mais aguçados, passei a ouvir o pestanejar dos seus olhos, a ouvir seus pensamentos (que eram os meus). Meus amigos ficaram sabendo da existência dela, eu contava para todos que estava quase namorando uma mina do cursinho. Minha ansiedade elevou-se até a última potência e não tive mais vontade de parar de estudar.
Os dias foram passando, e nada dela vir falar comigo e eu com ela. Só trocávamos olhares doces. Além da ansiedade, o medo de abrir a boca, o medo de digirir palavra; parecia que um "A" seria uma enxurrada de minhas carnes, e que a partir dali ela poderia fazer o que quisesse comigo, porque eu tinha soltado, aberto o peito, a cabeça, a barriga. Então, como a neurose estava monstruosa, maior que eu, decidi entregar um poeminha pra ela.
Minha inspiração foi certeira. O poema saiu bonito. Entreguei o papel escrito e não aguentei, saí correndo. No outro dia ela não apareceu, no outro também, no outro... no outro... no outro... no outro a depressão, no outro o hospital, os remédios. A lembrança do cursinho.
Sonho que a praça está cheia de gente hipócrita, hipocondríaca, caras amarradas com nó de marinheiro. Num susto, chego em casa e vejo o cachorro doente, que só late e é bem tratado por mim e pela dona. Noutro susto, estou com um pedaço de madeira na mão e arremeço em sua cabeça, ele não late, ele pede mais. Em mais outro susto, quero matá-lo.
Eis a manifestação de meu instinto que se pincela a cada dia ao fazer carinho no cachorro.
Me escondi da morte de cada dia, em todo dia que é o dia D. Torquato se retorce em minha
carne.
Meus cabelos crescem. De minha cabeça escorre sangue e o amargo sol na boca.
Ao me apresentar pra morte, ela mostrou seus dentes e o labirinto de paz e guerra, fez-me acreditar em tudo.
Quanto mais eu salto, quanto mais ouso estrangular a bruxa. O trauma da infância (que não foi só trauma, teve suas margaridas, seus arco-íris, seus cavaquinhos, os carinhos de minha mãe)manifesta o andar dos insetos entre as costelas. Tal angústia me recolhe a pensar em desistir, em desistir de morrer em que querer morrer. A vida no limiar da depressão do espírito. O abandono titubeia, busca, masturba, cutuca, retruca, ri, chora.
Tô puto, muito puto!
Da primeira vez fui até o apartamento dele (ou nosso naquela época), dei um sorriso, entrei e quando ele já estva acreditando comecei a quebrar tudo. Ele muito mais forte, me colocou pra fora. Sai com sede de sangue, vi com o carro dele na minha frente. Do outro lado da rua havia uma construção, peguei uma pedra média e uma grande. Esperei algumas pessoas passarem com as pedras na mão, o coração na boca. Joguei as duas, uma atrás da outra, saí caminhando numa velocidade aceitável a uma pessoa normal. O flanelinha ficou pasmo me olhando, peguei um táxi e fui pra casa. Minha voz saia estranha, parecia que não era eu. Chorei. Aconselho todos a um dia fazerem isso, é catártico.
Da segunda vez, estava ferida de morte, tinha uma coisa no meu estômago, me sentia a mais traída das mulheres. Me lembrava dele na nossa cama com outra, das histórias que havia ouvido e de novo fui até o apartamento dele (ou nosso novamente) pensando em quebrar a coisa mais cara que havia na casa. Queria que ele se sentisse como eu, apesar de saber que era impossível. Quebrei dessa vez a cozinha, inteira... Cada prato que eu quebrava parecia que quebrava ele dentro de mim. Fora que é delicioso quebrar coisas...
Ele me botou pra fora, os vizinhos acordaram, peguei um táxi na mesma rua, minha voz parecia estranha. Desta vez não chorei, até queira, mas não consegui. Descobri que chorar é uma dádiva, que é maravilhoso conseguir chorar. Sempre que choro agora dou mais valor, me sinto uma pessoa de sorte.
Me lembro de uma outra vez, eu devia ter uns seis anos. Morava no quarto andar e o meu quarto tinha uma sacada, eu sempre ficava olhando lá para baixo e pensando se eu caísse o que eu ia sentir...
Ai um dia decidi que ia jogar aluma coisa, mas não podia ser qualquer coisa, tinha que ser algo muito significativo, algo análogo a mim. Então elegi o que eu mais gostava, o que eu menos queria que quebrasse: a minha pinturinha da Hello Kitty. Foi muito rápido e isso me decepcionou. Mas quando vi ela estatelada lá em baixo, tão longe, me deu uma sensação gostosa que não sei explicar... Às vezes ainda sinto em diversas situações...
"A vertigem, nada mais é do que a vontade de se jogar."
ossos?
dentes são ossos?
quebrei um dente
vale?
três vezes o mesmo
vale?
andando de bicicleta, segurando a pipa com uma mão e o guidão com a outra,
descendo o barranco de uma praça
a roda bateu na guia,
desiquilibrei
bati com boca no guidão
quebrei um dente
descascando a cana com o dente
o pedaço do dente consertado
ficou grudado
na casca da cana
descendo a ladeira da G10
o skate
voei
desci rolando
quebri o mesmo pedaço do dente
quebrei três vezes o mesmo dente
o original e dois falsos
nenhum durou tanto quanto o original
depois que quebra nunca mais volta a ser igual
o joelho por exemplo
se você quebrar ele nunca volta a ser o mesmo.
joelho é cruel!
A dor que dá, mas como tudo passa....
A coceira do gesso, o calor do verão, a agulha de tricô ajuda, mas não soluciona.... Fazer o quê??
Da primeira vez foi de raiva falsa.
Da segunda de burrice mesmo....
Não chegou a quebrar, mas foi pior, o maldito aquele que liga tudo ao nada, o danado do ligamento.
Até hoje não funciona como antigamente, mas pra dizer a verdade, o que é que funciona como antigamente???
Cheiro
Chuva
Lembra minha mãe e sua louca alegria enquanto esse fenômeno ocorria.
-Vai menino pega os baldes antes que passe.
Chuva é coisa Rara onde tudo seca.
Lua cheia de estrelas céu sem fim.
E várias dias esperando mais uma vez
Cheiro gostoso
Pingos na telha
É dormir bem porque amanhã tudo é fartura.
E mais uma vez uma linda mulher Cheia de felicidade!!!
Romero Mota
eu já quebrei o coração várias vezes...
a primeira, quando tinha seis anos... minha melhor amiga na escola era gisele caruso, uma loirinha. no ano seguinte ela mudou de escola, foi pra uma particular. e embora fosse minha vizinha, parou de falar comigo. chorei.
a segunda vez, foi um dia dos pais. juntei meu dinheirinho e comprei um perfume (nada chique, um axe da vida) pro meu pai. mas ele, um pouco pela bebedeira, um pouco pelo gênio, um pouco pela péssima vocação para a paternidade, me pôs em pé no meio da sala e discursou sobre o quanto não tinha gostado do presente. e sobre o quanto não gostava de perfumes. e sobre como um cheiro, um dia, na vida, me traria lembranças de coisas que eu não quero lembrar... (verdade: sempre que meu amor bebe muito, o cheiro que seu corpo exala de noite me faz lembrar deste pai). chorei também.
quebrei meu coração na adolescência, pelas mortes que vieram cedo demais: a deste mesmo pai, a da melhor amiga - débora, aos 17 anos, a de um amigo de infância - fubá, primo da débora, aos 20 anos. por estes ainda choro hoje. e acho que chorarei até que a minha própria morte venha me libertar.
e aos vinte anos quebrei pela primeira vez o coração apaixonado. por um moço, beni, tão legal que foi difícil passar, mas passou. mas ainda hoje eu espero que um dia ele venha me dizer porque.
Algumas vezes eu acho que ele conseguia me ver por dentro, através dos ossos... E por isso foi tão fácil atingi-los todos, quebrando-os um por um. E eu, sempre tão dura, parecia toda feita de ossos. Osso coração. Sangue osso circulando com dificuldade por entre ossos veias repletos desse ar feito de ossos esmigalhados que entravam pelas narinas e pelos ouvidos em forma das palavras tuas. Esqueleto que já não era, todo quebrado no chão do quarto de costas pras tuas costas enquanto você saía. Massa insustentável de músculos, de pele e triste. Só isso no começo do fim.
Eu estou envelhecendo por dentro. Os meus ossos estão se desmanchando. Eu brinco dizendo que, então, não vai precisar nem cremar: voltarei ao pó naturalmente. Mas talvez seja uma piadinha sem graça!!!
– Por que você faz isso?
Eu não sei. Talvez porque eu me considere muito forte, ou muito fraco. Talvez porque eu me ame demais, ou de menos. Talvez porque eu seja um louco. Ou talvez seja só para chamar a atenção.
Não sei, só sei que me pesa muito nos ombros, o peso dos meus ossos...
nunca quebrei um osso, mas...
quando eu vi aquela loura barata pegando no braço dele...
fiquei louca e fui pra cima dela:
larga dele!
não põe a mão nele!
ela era alta
bebruçava sobre mim e dizia: você sabe com quem está falando?
e eu, busquei no fundo do meu ciúme uma força virulenta e dos meus olhos soltei faíscas gritando:
e você? sabe quem sou eu????
o pior foi ver as pessoas se aglomerando e tentando separar nós duas...
Ele recebeu o meu desejo de mat�-lo. Quando estava sentado na rua, atr�s de um muro baixo; saltei do muro por cima dele. um... dois... tr�s... virou pancadaria e dois socos desviados e como n�o sei como, caimos nos ch�o e eu por baixo de seu corpo, amarrado pelos bracos e pelas pernas, bufando de ira.
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