terça-feira, novembro 14, 2006

EMBRIAGAI-VOS !!!


Beber até arder, água ardente, passar do limite, o primeiro porre ninguém esquece. Lembrar o que aconteceu ou o que talvez tenha acontecido. Beber até cair.... Você lembra?

15 comentários:

Anônimo disse...

Lembro-me com tristeza desta maldita que levou o corpo presente de minha avó.
Ela começou a tomar por causa de seu marido que chegava embriagado, e a espancava todas as noites, incentivando-a a beber após o espancamento. Não peguei esta fase, mas minha mãe com os irmãos dizem até hoje após o falecimento de minha avó que muitas vezes o meu avô correu atrás dela e os filhos em volta da casa para espancá-los. Enfim...
Mais um copo e outro...Cadê a embriaguês? Cadê minha fingida lucidez? Bebi a muito tempo atrás e no copo continha todas as memórias, toda a alma destendida, toda a cólera de que preciso...Não resta mais nada:nem mais um novo delírio, um novo sonho ou pesadelo, ou outro copo de alucinações..."

Zézinho Alves

Anônimo disse...

era tudo o que ele queria
que eu soubesse de seu lado gay.
bebia, ouvia erasmo carlos e falava sem parar, histórias absurdas que não preciso contar e não vem ao caso.
- eu preciso de dizer... eu preciso! dizia ele.
não precisava me dizer daquela forma tão escrota! tão sem noção!
dizia que gostava de cazuza.
- e eu com isso!? dizia eu.
ele se levantou, tirou o calção e para minha surpresa...
vestia uma calcinha!!
aquele puto, aquele filho da ....
maldita bicha!
depois que quartos anos de namoro, uma só decepção e definitiva.

Anônimo disse...

damiana era chamada de louca porque perdia o controle da situação qdo tomava esta cachaça.
damiana era chamada de louca porque se entregava aos vagabundos que tomavam esta cachaça com ela.
damiana urrava de prazeres.
damiana urrava das dores.
damiana batia os pauzinhos aos arcanjos da proteção na encruzilhada das avenidas.
damiana me teve bastardo.
- moleque sujo, nariz melecado, gerado e malcriado sem pai, filho do mundo!
essas eram as vozes engolidas e explodidas no silêncio interno de meu inferno.
meu descompasso segue-se na angústia lúcida de meu analfabefismo vivo.
não sei por onde damiana anda!

Anônimo disse...

teu olho tem uma força de morte
me catou perdido de madrugada
me levou pra cama da empregada
me deixou largado no quarto
e saiu de saia rodada.
essa morte teve um caráter embriagador de me fazer sorrir após o mergulho uno de todos os sentidos.
o escutador ouviu músicas de vozes dos fantasmas desta casa.
o olhador viu nuances de roupas do avô de maria guilhermina(antiga moradora).
teu olhar tem agora uma força de vida, até no paladar.
teu olhar, minha embriaguez.

Anônimo disse...

Vigário, veja bem. Esse meu vizinho não presta, sempre gritou com as crianças, nunca deu bom dia pra ninguém daqui do quintal.
Quando soube que os dias estavam contados, passou a dar festas todos os sábados. Adiantando sua morte secando as garrafas de seu bar bem requintado, sabia que não as levaria pra debaixo da terra.
Tomou todas os líquidos das garrafas. Nenhuma ficou pro pós-morte, pra nenhum de seus primos ou seus irmãos que cultivam o mesmo vício.
Vigário, na noite dos meus 17 anos, pensei em te matar! Se a Maria não tivesse mandado você pra puta que pariu (sei que a respeita muito, porisso se se calou), eu teria saído de casa e eu é quem teria feito o que a Maria fez.
Conservo um grande rancor de sua imagem. Quando bebeste um litro de cândida da Tereza e ela se revoltou, também me revoltei, quando chegou lá em casa e falou merda pra minha mãe, não acreditei.
Tu sumiu, nunca mais ouvi falar, sei de boatos e casos, estórias que se remendadas te transformaria numa lenda equiparada a um tuareg, um mouro, um cangaceiro.
será que você está na puta-que-pariu?

Anônimo disse...

Tarde bastante de sol, Dolores embriagada, sentada na escada, falava talvez com seus fantasmas e suas frustrações. O olho pro céu era o único refúgio que ela saltava de corpo inteiro. Sua mãe e irmãos cuidavam em desmoralizá-la, como os outros vizinhos também o faziam. E naquela tarde bastante de crianças na rua, tarde de bastante barulho, brincadeiras, o sol lavando-nos de suor e sua muita luz na cabeça da Dolores, rodo-piaram pássaros e a cara no chão parou o movimento geral ao socorro dela. Em carne-viva o rosto se transformou noutro rosto. Tal violência com que se entrega a maldita, carrega consigo o estigma de uma rebelião autodestrutiva.

Anônimo disse...

A trilha sonora de domingo é: Nelson Gonçalves, cacarejos de galinha caipira sendo matada na cozinha, a voz bêbada do pai e as reclamações de dona Maria lavando roupa na bacia, sacolas de frutas e fumaças de churrasco do vizinho invadindo nossa casa enchendo saco.

Anônimo disse...

o corpo tremelicante já não anda bem dos ossos. o cheiro das palavras torcem meu nariz. tu que entras dentro de casa; na real, não sabe em que buraco está.
cada copo uma alegria, cada copo não és mais tu. esta ficção de ser, está sentado na mesa contemplando o futebol.

Anônimo disse...

Ela foi toda nossa, foi uma janela acesa da luz de fora, foi aquela champagne que nos banhamos e comemos uvas e soltamos gargalhadas. Depois apareceram o Antônio e a Soraia. Nossa cama ficou pequena.
A manhã de alvorada era a praia que não estivemos.

Fernanda Mandagará disse...

Beber pode não ser muito legal, mas tomar uns porres de vez em quando é essencial para manter a saúde espiritual...
Tomo porres toda hora, é impossível viver (no sentido vivo da palavra)sem.

Ouvir Elis Cantando "Atrás da porta" é um porre pra mim. Ou então Chico, Tom e Thelma Costa no "Eu te Amo". Ou dançar a noite inteira numa pista escura cheia de gente. Ou Sonhar, acordar e voltar a dormir tendo o mesmo sonho. Ou almoçar na minha vó. Ou deitar de costas na beira da praia e dormir, só acordar com aquela brisa e a praia deserta. Me apaixonar e achar que eu vou morrer de tanto amor. Ver meu amor e perceber que não o amo mais (nossa esse porre é muito surreal!). Abrir o livro "A Descoberta do Mundo" e ler um trecho da Clarice ao acaso no ônibus no horário do rush. Ir na 25 de março. Gritar bem alto numa rua escura e deserta. Mergulhar de olhos abertos. Ficar com tanto sono, mas tanto, que tudo começa a ficar engraçado. Subir num palco e dizer algo bem importante. Tirar a roupa e me olhar no espelho. Ver que dentro do olho tem uma bola dentro da outra. Ouvir Chopin bem alto, ou então Madonna. Fazer faxina, lavar por cima dos móveis e depois ficar olhando tudo limpo. Dar um beijo na boca de horas. Sentir frio na barriga. Sentir medo de pular. Ver que o seu corpo faz coisas que nunca havia imaginado. Mentir, uma mentira enorme, perigosa. Quebrar a casa inteira de tanto ciúmes. Ter ciúme. Sentir saudade de coisas lindas. Lembrar da infância. Jogar canastra e mímica de filmes. Pegar a estrada e colocar a mão pra fora sentindo o vento. Fumar um cigarro depois do almoço. Um café e um cigarro depois do almoço. Vinicius de Morais, um bêbado assumido. Ficar escrevendo num fluxo de consciência, livre associação é um baita porre. Caminhar na Paulista e olhar para os rostos das pessoas. Pensar como é dentro das casas quando passa de ônibus. Fazer compras, qualquer compra me embriaga. Pensar nos livros que eu nunca vou ler. Pensar que eu posso gerar uma outra pessoa dentro de mim. Pensar que eu posso morrer daqui a pouco. Respirar. Ficar sem respirar. Chorar com um filme. Ver um filme que é lindo. Becket, Saramago, Caio Fernando Abreu, Gabriel Garcia Marquez. Dar uma gargalhada. Ficar bêbada e dançar até ficar enjoada.

Meu último porre foi ter saído de Porto Alegre e vir morar em São Paulo. Ainda estou com aquela tonturinha gostosa...

Aldiane Dala Costa disse...

Ontem à noite
Os lábios vermelhos
A língua um pouco amortecida
Um sorriso leve nos lábios
O calor nas bochechas
As articulações moles
A pele bem viva
Um sonho acordada, um pisar em algo macio quase flutuar.
Isso até uma e meia da madrugada, depois o desprender-se para o contato
No embalo do movimento em busca do equilíbrio,
Até parar e deixar tudo girar

Anônimo disse...

Beber até não mais suportar
De fora pra dentro de dentro pra fora
O som indescritível, o barulho incomensurável, a sensação de morte iminente, mesmo sabendo que ela não virá agora.
O riso pra depois do choro, ou seria o choro pra depois do riso???
O pior é que lembro tudo......

Felipe Vieira de Galisteo disse...

Recordações do Vômito

Carrego na boca o gosto amargo
Aquele beijo que escapou na areia da praia...
Carrego no meu suor o cheiro sincero
Aquele abraço que escapou no meio das ondas...
Carrego nos meus olhos as memórias indigestas
Eu sonhei contigo quando ainda construia castelos...
Adormeci, acordei, adormeci
Do meu lado a cachaça, o uísque, a cerveja, a vodka, o vinho...
Enfim, os restos do que já esqueci
No calor do sol
Um cachorro lambeu meu rosto
Mas poderia ter sido você a me despertar
Não fosse o navio mais frágil que o mar
Não fossem meus gestos, meus atos, meus sonhos tão lúcidos!
Que nem mesmo o álcool me bastou para te amar...

Anônimo disse...

era adolescente
começamos a beber o uisque do pai da amiga
foi uma farra!
bebíamos no gargalo!
inconsequentes...
eramos tão meninas...
acordei no chuveiro, de roupa e tudo
a dor de cabeça foi amarga...

Anônimo disse...

bebo.
gosto de beber até cair a falar e a falar do que não falo quando estou careta.
falar do cu pode ser inconsequente, pode ser talvez um doente de manicômio ou um assassino dos bons modos?
não penso, faco.
os orifícios olfatam, ouvem, comem, cagam, cantam, recebem o que der na embriaguez de se soltar e virar algum deus silvestre que nietsche descreveu em seus aforismos. não gosto de aforismo algum. prefiro a danacão de se perder em dormir na calcada e acordar não sei aonde. se morri o problema não é seu.