sábado, outubro 14, 2006



Nos fale sobre uma indiscreta lembrança, uma coisa ou algo que lhe deixa envergonhado ou orgulhoso por ter feito, pensado ou agido?

11 comentários:

Anônimo disse...

Lembranças sempre ficam em nossas vidas, mas achar as indiscretas lembranças é algo atormentante pra mim. Por exemplo sempre fiquei horas fazendo quebras cabeça, ou horas tecendo um tapete e isso me parecia ou parece, um jeito de querer esquecer coisas da minha história. Talvez essa seja uma indiscreta lembrança.

Anônimo disse...

Suas lembranças a fazem tecer... encaixar peças ou pedaços... criar outras histórias?

Anônimo disse...

Naquela madrugada choveu bastante.
A mulher acordou com a chuva e pensou que o Urano chorava sobre Gaia tentando acordá-la com suas emoções.
Ainda era noite escura. A pequena vela ainda brilhava no canto do quarto. a lembrança do sonho veio forte: no fundo da mata pequenos répteis, lagartos e jacarezinhos choviam do céu por entre as árvores e rápidos se escondiam em montes de folhas velhas e molhadas.
A mulher com as mãos tentava pegá-los, mas eles se misturavam nas folhas e terra úmidas. Da mata vinha uma voz forte que comandava: - lembre-se da responsabilidade com o planeta. É preciso mantê-lo vivo!
Lembrar o sonho a confortou. Pensou: - para manter a vida é preciso deixá-la quieta por entre a terra úmida e fértil. Assim os pequenos se transformariam nos grandes.
Gaia, a mãe terra, havia acordado e se aberto para acolher mais uma filha que voltava ao seu colo.
Depois de niná-la e cobrí-la de beijos entregou-a para Perséfone e Hades que a levaram com cuidado para seu reino.
Ali ela descansaria e seria nutrida pelo leite e mel dos seus ancestrais.
A mulher voltou a dormir aliviada.
De manhã o dia ainda nublado trouxe algumas novidades: folhinhas tenras na pitangueira do quintal, botõezinhos de begônias, caminhos novos de minhocas por entre a grama. Vida respondendo ao recolhimento.
Êpa, até mesmo a pimenteira de dentro da cozinha, ouvindo a chuva, ofereceu ao triste sofá vazio uma nova bolinha amarelinha!
AMor,
A Mortícia 1990 - 2006

Anônimo disse...

lembro que as lembranças são coisas que não existiram.
lembro que elas passaram na minha carne e não proceguiram na idade.
fui o que precisou ser
pra viver e me chamarem do que eles abominam.
eu ouvi o canto da sibila no deserto do atacama.
meus maridos não se acostumavam com minha vontade divina
de nossa senhora da aparecida
e as noites de sexo e de bebedeira
transformava a criança
em mim
e tudo era aquele momento
só aquele.

Anônimo disse...

desde o nascimento dessa carne que fala, que cala, que consente, que anda por aí destinado a não ter dente. que bate e se recolhe no vazio crescendo, conforme o tempo da angústia em nostalgia pelas mangas e ilusões de maravilhas.
não me conformei com a escola e elogios de boas notas, e os salários para encher a poupança de misérias.
a consciência que vos fala ainda se irrita em me qualificar numa promessa.
desde o salto do ventre quis ser o oceano. tentei sê-lo seriamente aos dezenove anos me lançando do navio. segundo os homens:fui salvo por um herói. segundo eu... ran!!! fui podado do maior desejo por enquanto.

Anônimo disse...

mornamente


pequenos sinais aprumam-se nas extremidades
gramatizando
o balanço das laterais
e o breve crispar dos barços em arco


dos picos dos dedos
escorre... o sangue
com que te infiltro
a história
a que não demos nome...


paulatinamente


tudo soa
mas gritam riscos,
roncam giros,
murmuram quedas...! (mas não te mais ouço, noite do tempo afora!)


ofertei-te os grãos
respondeste com bicos
retruquei com dentes...


agora viajávamos
escorrendo pela morna terra e por
todos os elementos que relacionaste,
brotados da vida,
imemoriais


mas
tudo se encontrou de repente


e o espaço... era pouco

e o tempo... era pouco

porque o fundo... era muito


eruptivamente


(vida respondendo )
respirava a carícia do ar

Anônimo disse...

Partindo de articulações que comandavam os meus desejos mais profundos de olhar tudo ao redor sem ser com "os olhos", Trouxe para aquele momento as sensações boas e ruins que o próprio momento instigava. O começar no vazio, sendo os dedos mínimos os olhos, construi este novo olhar; E o desenvolver da situação dita tornou este momento único. A trepidação espontânea, e o surgir de mão e perna, só trouxe mais a realidade e curiosidade para este momento.

Felipe Vieira de Galisteo disse...

não tenho nada a temer
se não existem os erros
temo não tê-los
e por não ter vivido o bastante
ou ter deixado de viver
mas como não considerar esse não
uma forma de ser um sim
sem filosofismo barato, meu camarada!
isso não cola...
é só assim que posso te responder.
temo não ter dito pra pessoa certa o quanto eu a amava
temo ter dito pra pessoa errada o quanto eu achava que amava
temo não ter ido ao melhor show da minha vida toda vez que escuta a música da minha vida
mas temo não ter uma música da minha vida, nem a banda, quem sabe nem o show e quem sabe nem mesmo a vida
temo temer meus erros e meus acertos
temo ter odiado em demasia
temo não ter odiado o bastante
temo ter sofrido sem motivos
e temo não ter sofrido o suficiente
temo as alturas desde pequeno
sofro deste medo que não é meu
temo na verdade que o chão me sugue
temo correr sempre lá para baixo
temo o afogamento
medo tolo para quem não sabe nadar
e nem mesmo corre o risco de se afogar
temo a velocidade da estrada
um medo de não conseguir chegar
temo não ter medo
de mentir
pois não temo os erros e acertos
as besteiras que cometi
a bebida que eu exagerei em ingerir
temo na verdade
que a verdade não exista
e que meu medo maior seja
não ter vivido nada do que vivi
e acreditado tolamente na não existência desta vida
até o ponto em que nem mais a vivi
temo não temer
na hora em que a fera aparecer na minha frente
com sangue nos olhos
a me desejar
temo a desconfiança dos meus passos noturnos
temo não ter partido de nehum lugar
não ter lar
não tenho medo de nada
temo tudo que temo
sem temer tudo que eu poderia temer
e acima de tudo
amo errar infinitamente
até a medida que não temo mais acertar

Anônimo disse...

eu era adolescente e meu pai um doido!
entramos numas de roubar pequenos souvenirs nas lojas da cidadezinha turística
era pura diversão e adrenalina
os objetos não eram valiosos mas, passavam a sê-lo depois que os roubávamos
eram como que troféus da nossa cumplicidade

Anônimo disse...

Sem sentido!!!
O abandono de si!!
Quero que sejas livre, e vá o mais longe que puder sem mim!!! Vá para a puta que o pariu,ou que o Diabo o carregue sem deixar pistas!!!!
Vá o mais longe puder!!!
Deixe apenas as marcas causadas pelo tempo, ou as feita por mim ou por um outro corpo que já não me pertence!!! Resolvi deixá-lo, e me me preocupar comigo!!!segue o seu caminho e me deixe perdido num labirinto em que fiz questão de me perder.

Anônimo disse...

Estava numa festa pequena, uma reunião de amigos. Eu acompanhava meu ex-namorado e não conhecia bem todos ali. No final, estavam já quase todos bêbados. Eu não estava. Foi quando um cara gay começou a contar uma história. A história era verídica. Ele tinha sofrido abuso sexual do primo e dos amigos do primo quando tinha 9 anos. ele contava como se fosse uma coisa natural dizia que gostava e por isso não contava nada. dizia que era gay por causa daquilo. ele contava tudo em meio a risadas. na verdade, eu enxergava dor, solidão e brutalidade naquele garoto. acho que ele não gostou coisa nehuma. er auma solidão e revolta e tristeza imensas.