Este é o Blog oficial da Cia. Corpos Nômades, que foi criado em 2006. Funcionará novamente como nossa Sala de Ensaio Virtual. Como foi com o espetáculo "O Barulho Indiscreto da Chuva", onde as respostas poéticas inspiraram as coreodramaturgrafias. Agora com o HOSTEL PROJECT - novamente as postagens e os comentários servirão para a criação do novo espetáculo. Este projeto conta com o XIV Programa Municipal de Fomento à Dança de São Paulo e a Cia. Corpos Nômades é patrocinada pela PETROBRAS
quinta-feira, outubro 26, 2006
Cheiro indiscreto!
As rosas exalam...?
21 comentários:
Anônimo
disse...
os cheiros me remetem lembranças tranquilizadoras, desestabilizadoras, eventos que quero esquecer. estas rosas exalam-me as auroras da infância e de tormentosas encrencas entre meu pai e minha mãe. este pote, na prateleira lá de casa. o eu debaixo das cobertas, tapando os ouvidos, em quase choro, querendo que a vida não fosse assim.
Hafiz, eu também passei por isso! Meus pais também brigavam muito, eu ficava envergonhada com minhas amigas porque elas ouviam os escândalos da casa delas e comentavam minha frente. O Leite de Rosas trás na minha memória a minha avó que tanto amei e se foi. Ela passava nela. Ela me protegia dos meus pais que eram insensíveis comigo, me surravam, me ridicularizavam na frente dos outros. Passei tempos desejando que os pais de minhas amigas fossem os meus
... 'somente' tudo aquilo que temos (in)discretamente em nós e através de nós: imagens, sensações, lembranças, movimentos, toques, desejos, enfim cheiros (in)visíveis de nós - até que ponto queremos ver o (in)visível (in)discreto? Não seria esse cheiro uma construção nossa? Daí, nos perguntarmos "como" as rosas exalam re/ações em nós?
OU
... nada. Simplesmente nada se não a percebermos ou a sentirmos.
Lorena me exala as balas de hortelã. Carlos; sorvete de limão. Julia; sustos e esconde-esconde. Márcia; galhinhos de arruda que roubamos duma imensa plantação, de dona Maria da Ana Neves e fomos sentar no escadão para acariciar nossos rostos cheios de inocência. Renato; o cheiro de chulé de quando chegavas da escola. Ana; amor platônico, brincadeiras de papai e mamãe sendo que nesse dia fui ao céu, passei a mão na sua bunda e nos assustamos com o barulho de um rato que morava lá em casa. Zé Carlos; bolinhas de gude e bonecos, disputávamos campeonatos valendo doce de goiaba. Antônio; queria ter tido aqueles músculos que ele tinha, pra mim, ele era forte. Fábio; quantos murros nos demos. Débora, você não me mandou aquela carta. Ernesto; cavaquinho. Helena; perfume das tardes em que me deleitava nas noites solitárias cheirando um frasquinho. Ivani; caco de vidro no pé, enforcou um gato e o jogou na laje do Chipa. Angu; pedrada de estilingue no olho do meu irmão. Luciana; tristeza. Pedro; revólver, futebol e pipa. César; turnos e turnos de noites de frango na laje em que avistávamos as luzes e escutávamos Raul Seixas num rádio de pilha. Patrícia; minha entrega desenrolada para uma angústia. Antônia; Roberto Carlos tocava na sala, seu pai era louco e queria me bater,pulei a janela e nunca mais a vi.
quando tu fores para atenas leve as rosas perturbadas de paixão que te entreguei da boca do meu coração. sei que vais para longe mas, leve as rosas vermelhas e as lembranças alaranjadas da lua no teto daquelas gargalhadas. quando fores embora daqui, não embora de mim, leve também na mala o meu perdão. quando fores embora leve a alegria do que vivemos, as nuances do que dissemos, as batatas, os torresmos.
A madrugada foi nossa eu dizia: - Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, me dê mais, me dê mais virilidades dentro de mim. A manhã também foi nossa. O dia foi nosso. A noite foi nossa. No domingo fui na missa e o padre Lucas ofereceu-me bolo de chocolate no confecionário. Ele sabia disfarçar bem e eu também. Me pediu que rezasse a oração de São Longuinho após sentarmos. Neguei seu pedido e disse que rezaria para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Ele aceitou de bom grado e ainda deu graças à deus.
Roberta deixou sua saudade sentada na cadeira com a toalha branca no amanhecer. Seu marido vendia flores e era o garanhão das casadas. Roberta era graças a Deus nos meus braços. De Roberta tenho aquela toalha branca e o passado repleto de tesão.
Eu lembro da segunda peça de teatro que fiz “Um edifício chamado 200” eu morava em Xanxerê, uma cidade de 30mil habitantes tinha 14 anos, a gente ensaiava na torre da igreja da cidade eu me apaixonei pelo ator com quem contracenava, ele tinha 25 anos ele me falava de teatro e de coisas muito distantes daquela realidade que eu vivia depois ele mudou para São Paulo e eu fui estudar teatro em Campinas eu lembro disso porque a gente usava "leite de rosas" depois das apresentações para tirar a maquiagem isso foi em 1993
eu tenho um lance com cheiro... vem a música, a pessoa, o lugar... mas leite de rosas não lembra nada. lembrei! tinha uma menina linda na minha sala da faculdade, com nome de índio, que não usava desodorante, usava leite de rosas...
Qual será o cheiro das estrelas? É fácil lembrar do cheiro das mangueiras e das laranjeiras no quintal; Do cheiro de infância por entre as rosas que na verdade eram vermelhas e que, não se sabe como, viravam perfume dentro do frasco (também rosa) e depois não morriam mais. O cheiro de vento que entrava pela janela a noite e fez tudo passar como num sopro. Vincou a pele, levou as pessoas e as paredes. Fez com que eu me esquecesse para que pudesse me lembrar. Ainda tento reconhecer o meu próprio cheiro, os novos, os velhos e os outros perfumes que se somam ao meu. Mas ainda penso sobre os cheiro das estrelas...
Esse cheiro me lembra alguém que eu amava muito, e ja se foi. As vezes, quando só, sinto no ar uma leve fragrancia, e como que transportado para tempos imemoriais me vejo criança correndo pela praia e chamando o nome de alguém que estava ali e hoje se transformou, acho que é melhor dizer resumiu-se, nesse olor.
o leite de rosas não me faz lembrar de nada lembro apenas que cortei meu dedo num espinho quando era criança e quis dar rosas para uma menina que não me lembro o nome talvez fosse Thaís, mas isso é só uma suposição e lembro mais ainda que cresci e que ainda adoro o cheiro do leite quente no café da manhã e lembro também que depois que cresci conheci uma prostituta cujo nome também não lembro talvez fosse Thaís, mas isso é só uma suposição mas lembro que ela odiava flores usava uma bota cor de rosa e bebia leite gelado direto da garrafa porque ela sempre acordava enjoada... sim! sim! ela acordava enjoada por causa do cheiro de leite de rosas que a mãe dela usava - ela sempre se recorda disso depois de transar? putz! nunca perguntei isso pra ela...
de algum lugar fora do mundo eu trouxera uns grãos de café - o invivido. guardara-os em minha carteira junto com cartas de baralho carimbadas por multidão solidão janela alma poemas - símbolos da experiência. eu estava sozinha no relicário de baudelaire quando uma moça veio de algum lugar desconhecido para mim e me entregou cafés. eu lhe perguntei: "de onde você veio?" ela riu e foi captada por algum espírito. em outro domingo, eu soube de onde vieram os cafés - lembranças indiscretas. o homem fechou os olhos e a moça apresentou-lhe esse cheiro e perguntou: "o que café te lembra?" ele respondeu: "tesão" e a moça levou-o para algum outro lugar invisto. em janeiro, no entanto, minha carteira foi roubada. Após um telefonema, fui buscá-la numa lanchonete na praça da sé. Ao abri-la, os cafés e as bolinhas de isopor com as quais baudelaire e eu nos chovemos não estavam mais lá - ficara apenas o cheiro impregnando as fotos de pessoas amadas.
21 comentários:
os cheiros me remetem lembranças tranquilizadoras, desestabilizadoras, eventos que quero esquecer. estas rosas exalam-me as auroras da infância e de tormentosas encrencas entre meu pai e minha mãe. este pote, na prateleira lá de casa. o eu debaixo das cobertas, tapando os ouvidos, em quase choro, querendo que a vida não fosse assim.
Hafiz, eu também passei por isso!
Meus pais também brigavam muito, eu ficava envergonhada com minhas amigas porque elas ouviam os escândalos da casa delas e comentavam minha frente.
O Leite de Rosas trás na minha memória a minha avó que tanto amei e se foi. Ela passava nela. Ela me protegia dos meus pais que eram insensíveis comigo, me surravam, me ridicularizavam na frente dos outros. Passei tempos desejando que os pais de minhas amigas fossem os meus
o deslizar de suas mãos ensaboadas
me dava banho na bacia
que eu vergonhosamente recebia
tentando esconder a excitação
ao mesmo tempo
que a vida me reluzia
a água tinha o cheiro
que não sei porque
este leite de rosas
me baixa a memória
lá de menino
em um certo dia
a prima mais velha
o carinho hereditário
um amor que ficou guardado
"As rosas exalam..."
... 'somente' tudo aquilo que temos (in)discretamente em nós e através de nós: imagens, sensações, lembranças, movimentos, toques, desejos, enfim cheiros (in)visíveis de nós - até que ponto queremos ver o (in)visível (in)discreto? Não seria esse cheiro uma construção nossa? Daí, nos perguntarmos "como" as rosas exalam re/ações em nós?
OU
... nada. Simplesmente nada se não a percebermos ou a sentirmos.
Glauce Rocha
as rosas exalam meus amores,
e sou amante de amar
e não sei o que é o amor
sei o que é nada.
a poesia acima, a palavra final do verso é "nadar".
então seria:
as rosas exalam meus amores,
e sou amante de amar
e não sei o que é o amor
sei o que é nadar.
embora não seja peixe, mas tendo como origem a água.
querido, não acredito que tenha passado leite de rosas, que mãos cheirosas e fortes de me pegar.
lembra do canto da maresia na dança das madressilvas escondidas pelos movimentos de nossos corpos?
Algumas pessoas me exalam:
Lorena me exala as balas de hortelã.
Carlos; sorvete de limão.
Julia; sustos e esconde-esconde.
Márcia; galhinhos de arruda que roubamos duma imensa plantação, de dona Maria da Ana Neves e fomos sentar no escadão para acariciar nossos rostos cheios de inocência.
Renato; o cheiro de chulé de quando chegavas da escola.
Ana; amor platônico, brincadeiras de papai e mamãe sendo que nesse dia fui ao céu, passei a mão na sua bunda e nos assustamos com o barulho de um rato que morava lá em casa.
Zé Carlos; bolinhas de gude e bonecos, disputávamos campeonatos valendo doce de goiaba.
Antônio; queria ter tido aqueles músculos que ele tinha, pra mim, ele era forte.
Fábio; quantos murros nos demos.
Débora, você não me mandou aquela carta.
Ernesto; cavaquinho.
Helena; perfume das tardes em que me deleitava nas noites solitárias cheirando um frasquinho.
Ivani; caco de vidro no pé, enforcou um gato e o jogou na laje do Chipa.
Angu; pedrada de estilingue no olho do meu irmão.
Luciana; tristeza.
Pedro; revólver, futebol e pipa.
César; turnos e turnos de noites de frango na laje em que avistávamos as luzes e escutávamos Raul Seixas num rádio de pilha.
Patrícia; minha entrega desenrolada para uma angústia.
Antônia; Roberto Carlos tocava na sala, seu pai era louco e queria me bater,pulei a janela e nunca mais a vi.
quando tu fores para atenas leve as rosas perturbadas de paixão que te entreguei da boca do meu coração.
sei que vais para longe mas, leve as rosas vermelhas e as lembranças alaranjadas da lua no teto daquelas gargalhadas.
quando fores embora daqui, não embora de mim, leve também na mala o meu perdão.
quando fores embora leve a alegria do que vivemos, as nuances do que dissemos, as batatas, os torresmos.
Ficar sem sentir o cheiro de alguém é muito chato. A vida vira um saco de enxeção, qualquer coisa dá no nervo.
A madrugada foi nossa
eu dizia: - Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, me dê mais, me dê mais virilidades dentro de mim.
A manhã também foi nossa.
O dia foi nosso.
A noite foi nossa.
No domingo fui na missa e o padre Lucas ofereceu-me bolo de chocolate no confecionário.
Ele sabia disfarçar bem e eu também. Me pediu que rezasse a oração de São Longuinho após sentarmos. Neguei seu pedido e disse que rezaria para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.
Ele aceitou de bom grado e ainda deu graças à deus.
Roberta deixou sua saudade sentada na cadeira com a toalha branca no amanhecer. Seu marido vendia flores e era o garanhão das casadas. Roberta era graças a Deus nos meus braços. De Roberta tenho aquela toalha branca e o passado repleto de tesão.
Eu lembro da segunda peça de teatro que fiz
“Um edifício chamado 200”
eu morava em Xanxerê, uma cidade de 30mil habitantes
tinha 14 anos,
a gente ensaiava na torre da igreja da cidade
eu me apaixonei pelo ator com quem contracenava,
ele tinha 25 anos
ele me falava de teatro e de coisas muito distantes daquela realidade que eu vivia
depois ele mudou para São Paulo e eu fui estudar teatro em Campinas
eu lembro disso porque a gente usava "leite de rosas" depois das apresentações para tirar a maquiagem
isso foi em 1993
Leite de rosas lembra minha mãe, que não podia usar desodorante. Desde minha infância vejo esta embalagem. É a minha mãe, já falecida. Saudades....
eu tenho um lance com cheiro... vem a música, a pessoa, o lugar...
mas leite de rosas não lembra nada.
lembrei! tinha uma menina linda na minha sala da faculdade, com nome de índio, que não usava desodorante, usava leite de rosas...
Qual será o cheiro das estrelas?
É fácil lembrar do cheiro das mangueiras e das laranjeiras no quintal;
Do cheiro de infância por entre as rosas que na verdade eram vermelhas e que, não se sabe como, viravam perfume dentro do frasco (também rosa) e depois não morriam mais.
O cheiro de vento que entrava pela janela a noite e fez tudo passar como num sopro. Vincou a pele, levou as pessoas e as paredes. Fez com que eu me esquecesse para que pudesse me lembrar.
Ainda tento reconhecer o meu próprio cheiro, os novos, os velhos e os outros perfumes que se somam ao meu. Mas ainda penso sobre os cheiro das estrelas...
Esse cheiro me lembra alguém que eu amava muito, e ja se foi.
As vezes, quando só, sinto no ar uma leve fragrancia, e como que transportado para tempos imemoriais me vejo criança correndo pela praia e chamando o nome de alguém que estava ali e hoje se transformou, acho que é melhor dizer resumiu-se, nesse olor.
o leite de rosas não me faz lembrar de nada
lembro apenas que cortei meu dedo num espinho quando era criança
e quis dar rosas para uma menina que não me lembro o nome
talvez fosse Thaís, mas isso é só uma suposição
e lembro mais ainda que cresci
e que ainda adoro o cheiro do leite quente no café da manhã
e lembro também que depois que cresci
conheci uma prostituta cujo nome também não lembro
talvez fosse Thaís, mas isso é só uma suposição
mas lembro que ela odiava flores
usava uma bota cor de rosa
e bebia leite gelado direto da garrafa
porque ela sempre acordava enjoada...
sim! sim!
ela acordava enjoada
por causa do cheiro de leite de rosas que a mãe dela usava
- ela sempre se recorda disso depois de transar?
putz! nunca perguntei isso pra ela...
o melhor é o cheiro que fica depois de transarmos
o meu
o dele o nosso
a mistura é ínica e inesquecível....
de algum lugar fora do mundo eu trouxera uns grãos de café - o invivido.
guardara-os em minha carteira junto com cartas de baralho carimbadas por multidão solidão janela alma poemas - símbolos da experiência.
eu estava sozinha no relicário de baudelaire quando uma moça veio de algum lugar desconhecido para mim e me entregou cafés. eu lhe perguntei: "de onde você veio?" ela riu e foi captada por algum espírito.
em outro domingo, eu soube de onde vieram os cafés - lembranças indiscretas. o homem fechou os olhos e a moça apresentou-lhe esse cheiro e perguntou: "o que café te lembra?" ele respondeu: "tesão" e a moça levou-o para algum outro lugar invisto.
em janeiro, no entanto, minha carteira foi roubada. Após um telefonema, fui buscá-la numa lanchonete na praça da sé. Ao abri-la, os cafés e as bolinhas de isopor com as quais baudelaire e eu nos chovemos não estavam mais lá - ficara apenas o cheiro impregnando as fotos de pessoas amadas.
cHEIRO?
QUE cHEIRO?
pERDI O OUFATO AOS 10 ANOS E ATÉ HOJE NÃO cHEIRO. aTÉ cHEIRO MAS NÃO SINTO cHEIRO.
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