ÉDIPUS REX - A MÁQUINA DESEJANTE - atualização temporada de 2009
ÉdiPUS REX - A Máquina Desejante
De 13 de novembro até 13 de dezembro de 2009
sextas e sábados às 21h00 aos domingos às 20h30
Ficha Técnica:
Direção e Coreodramaturgrafia: *João Luis Minelli Andreazzi.
Elenco: Bruna Dias, Isabella Franceschi, João L. M. Andreazzi*, Ricardo Silva, Tais Magnani e Tiago Teles .Mestre Sala: Gabi.Grafiteiro e cenário: Tota.DJ: Dan-Dan.Rapper-virtual: Terra Preta.Assessoria Poética Dramatúrgica: Claudio Willer.Composição da Trilha Sonora: Vanderlei Lucentini.Figurinos, Cenário e Adereços: Nicea Corrêa.Vídeo-Arte: Bruno Cucio, Cris Lyra, Guilherme Severo e Marcela Sneider (Sina Filmes).Fotografo: Henk Nieman .Designer Gráfico: Rafael Benthien.Confecção e montagem do Cênario: Djane Borba.Assessoria de imprensa: Canal Aberto.
* João Luis Minelli Andreazzi (nessa montagem João Andreazzi – acrescenta seu nome completo somado ao sobrenome materno)
As inspirações poéticas para essa montagem foram:
A famosa trilogia de Sófocles sobre a “lenda/mito” de Édipo.
Édipo Rei de Sófocles transformou-se em ícone moderno e pós-moderno por criar personagens que foram adotados pela psicanálise e filosofia, ao expressarem os mais secretos desejos humanos. O relato dessa tragédia, advinda de uma lenda grega, foi fundamental para a concepção do espetáculo, pois permitiu ampliar o leque de imagens e movimentos.
A história de Édipo – filho de Laio e Jocasta, pai de Etéocles, Ismênia, Antígone e de Polinices – é considerada a tragédia das tragédias, ao colocar em foco questões como o parricídio e o incesto; mas também é motor do pensamento e da pesquisa de questões como as das oposições e interações entre o público e o privado, a norma e a transgressão, o destino e a invenção.
A analise desconcertante e complexa deste mundo capitalista e esquizofrênico por Fêlix Guattari e Gilles Deleuze.
O Anti-Édipo – Capitalismo e Esquizofrenia, obra de Deleuze e Guattari, foi primordial para essa nova montagem; em especial o capítulo 1, “As Máquinas Desejantes”. Seus autores, contrapondo-se à psicanálise de Sigmund Freud e inspirado-se em diversos escritores, principalmente em Antonin Artaud, fazem um strip-tease de órgãos, despindo o ser humano, em seus estudos sobre a sociedade contemporânea.
É de pus, pústula, uma ferida ilustre, ÉdiPus uma máquina desejante.
O Corpo e a cultura que o envolve; a dança contemporânea pesquisada pela Cia. Corpos Nômades interagindo com as culturas do Carnaval e do Hip-Hop.
Essas culturas tão universais conectam-se à idéia do nomadismo, que fundamenta tanto o surgimento quanto o conceito da linguagem corporal da Cia. Corpos Nômades. Outros pontos de conectividades das escolhas para essa montagem são a noção de “lugarização”, além de haver uma referência ao publico e o privado; e, no caso do Carnaval/carnavalização, com a lenda de Édipo, no que diz respeito ao seu bisavô Lábdaco: este reprimiu o culto das bacantes, que ganhavam extrema influência religiosa e política na cidade. Teria profanado um altar a Dionísio, o que provocou a fúria das bacantes, que o mataram por esquartejamento.
Essas fontes de inspiração que pairaram e se infiltraram nos corpos nômades da Companhia conectam-se à idéia da coreodramaturgrafia para construir um alicerce “liso e estriado”, densamente imagético, povoado por referências: os corpos masoquistas, esquizofrênicos e paranóicos que aparecem nas análises de Deleuze e Guattari; a bissexualidade de Laio com Crisipo; o enigma da esfinge para Édipo (“Qual o animal que pela manhã anda com quatro patas, a tarde com duas e a noite com três patas” – ao que ele responde: “O homem”); a luta de Etéocles e Polinices, filhos de Édipo, pelo poder; Antígona, a irmã emparedada; a linhagem de coxos que envolve o próprio Édipo; a cegueira profética tanto de Tirésias quanto de Édipo.
Por Claudio Willer
Mas o que encena a Cia. Corpos Nômades? Édipo ou o anti-Édipo? Diria que ambos: o que se passa em cena é um jogo entre interpretações, as clássicas e aquela transgressiva. João Andreazzi e os demais integrantes do elenco dançam, expressam-se, apresentam-se como ideogramas ou emblemas, movidos pela tensão entre esses pólos. Oferecem-nos um trans-Édipo. Simbolizam – inclusive através dos adereços e máscaras atemporais, bem como da participação do sambista, do disk-jockey e do grafiteiro, mais o repertório musical variado – a universalidade do mito; e dos anti-mitos, das possibilidades de reinterpretação do relato originário.
Deixar de ater-se aos limites impostos pela condição humana (ou pela cultura, diriam os intérpretes modernos do mito): isso não seria um modo de superá-la? De instaurar um novo homem? Ou uma nova cultura? Um novo corpo? Penso que João Andreazzi e seus colaboradores exibem Édipo e anti-Édipos; mas apontam para estas palavras finais de Artaud: “Quem sou eu? / De onde venho? / Sou Antonin Artaud / e basta-me dizê-lo / como só eu o sei dizer / e imediatamente / verão meu corpo atual / voar em pedaços / e se juntar / sob dez mil aspectos / notórios / um novo corpo / no qual nunca mais / poderão me esquecer.”
ÉDIPUS REX - A MÁQUINA DESEJANTE - serviço
O LUGAR - Cia. Corpos Nômades
Rua Augusta, 325 - São Paulo -Brasil
Telefax: 55-11-3237-3224
Ingresso: R$ 15,00 inteira e R$7,50 a meia entrada
www.ciacorposnomades.art.br
ciacorposnomades@uol.com.br
ciacorposnomades@gmail.com
Para o espetáculo ÉdiPUS REX - A Máquina Desejante contamos com o Patrocínio da:
Sabesp para quem tem sede de Cultura
e com Realização do:
SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
"PROGRAMA DE INCENTIVO A DANÇA PAULISTA - 2008"



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